Em 2011, 124.947 auxílios-doença foram concedidos a dependentes químicos pela Previdência...
Não é brincadeira. Há uma explosão de demanda por serviços e
benefícios de assistência social por parte dos dependentes químicos.
Mais de 350 mil auxílios-doença foram concedidos pela Previdência a
pessoas nessas condições, obrigadas a se afastar do trabalho, segundo o
Ministério da Previdência Social. Dados da pasta revelam, ainda, que o
afastamento causado por crack, cocaína, anfetaminas, maconha e outros
narcóticos afins já supera em oito vezes as licenças por conta do
consumo de álcool e cigarros.
Segundo o jornal Folha de S.
Paulo, apenas no ano passado, 124.947 auxílios-doença foram concedidos
a dependentes químicos pela Previdência. A despesa girou em torno de R$
107,5 milhões para o governo federal - o valor médio pago aos
dependentes químicos é de R$ 861, mas varia de um salário mínimo a R$
3.916. São Paulo é um dos Estados que mais conta com pedidos de
afastamento.
A conta, diz ministro da Previdência Social,
Garibaldi Alves, tende a aumentar. "São pessoas em idade produtiva
consumidas pelas drogas. Ao invés de estarem contribuindo para a
Previdência, as estamos perdendo", resume.
A gravidade do
problema das drogas se traduz, ainda, no número de atendimentos a
dependentes químicos na rede pública. Nos últimos oito anos, o Sistema
Único de Saúde (SUS) registrou aumento de 900% nesses casos – eles
passaram de 299.786 atendimentos em 2003 para mais de 3 milhões em
2011.
Revisão da política anti-drogas já
Nesta
questão das drogas, o alcance do benefício previdenciário demonstra a
rede de proteção social que contamos no país hoje. Mas, evidentemente,
demonstra, também, a gravidade do problema e a exigência de uma revisão
total da política anti-drogas dos governos federal, estaduais e
municipais.
É fundamental que exista uma política comum,
orquestrada em âmbito federativo. E não apenas na repressão e no
combate ao narcotráfico; mas, também, no tratamento dos usuários e na
prevenção. Uma política, aliás, que, sem o apoio e a atuação da
sociedade, não vai a lugar nenhum. Ela requer a participação das
empresas, ONGs, sindicatos, igrejas, escolas... Enfim, de todos nós.
Fonte: Blog do Zé